Spotlight – Segredos Revelados

Foto extraída de cena do filme Spotlight - Segredos Revelados (Foto: Divulgação)
Foto extraída de cena do filme Spotlight – Segredos Revelados (Foto: Divulgação)

São dois pontos distintos para olhar a estatueta de melhor filme com Spotlight.

Primeiro, pelo lado da surpresa, o fato de que o filme independente pisava no mesmo tapete sobre o qual produções gigantes hollywoodianas como Mad Max (vencedor de quase todos os prêmios técnicos) e O Regresso (melhor direção e ator) pisavam. Por outro lado, apesar da surpresa citada, não dá para tratá-lo como um filme azarão, como muitos o colocam, dado os prêmios vencidos em festivais importantes pelo mundo como Spirit Awards além da própria premiação de melhor roteiro original no Oscar.

Aliás, cabe aqui um adendo: nos últimos anos o vencedor de melhor roteiro tem levado invariavelmente a estatueta de melhor filme, ou seja, a categoria tem servido de grande parâmetro para consagração da maior estatueta do maior evento cinematográfico.

E é justamente aí que está a grande força do longa-metragem dirigido por Tom Mc Carthy, um roteiro muito bem escrito e ousado por abordar uma questão pra lá de delicada, no caso, a pedofilia ocorrida na igreja católica, mas que vai além ao colocar o jornalismo como pano de fundo.

Baseado em fatos reais, Spotlight é um jornal de Boston, que, no inicio da década 2000, com mudança no quadro diretivo, resolve desenterrar o assunto a fim de ganhar notoriedade. Daí por diante o assunto ganha força conforme os jornalistas vão trabalhando com muita ousadia para chegar a fatos cada vez mais ‘assustadores’.

Aqui o roteiro deixa a lição da ousadia como ferramenta essencial para que os jornalistas consigam ‘vencer’ a difícil batalha contra instituições poderosas e, por outro lado, espaço para debate sobre a própria função do jornalista.

Em outras palavras, o pano de fundo acerca do fato exposto é: os jornalistas colocaram a emoção acima da própria razão, tratando, por exemplo, do problema como se fosse seu, para que, com um trabalho politicamente correto e determinado, pudessem realizar um trabalho investigativo que desse ao jornal grande audiência e, de quebra, alcançasse revelações capazes de obter um ganho social inestimável. Contudo há o outro lado da moeda que deixa a questão sobre até que ponto o jornalista pode e deve chegar (acerca de fazer o trabalho de instituições investigadoras, como o da Polícia)?

Enfim, no fim das contas fica a critica à igreja católica, principalmente por encobertar os casos, e o enaltecimento do trabalho investigativo dos norte-americanos, diga-se, algo daquilo que os patriotas de lá adoram tanto vangloriar-se. E que, com a premiação, além de ganhar grande potencial, serve para massagear o ego dos mesmos e até comemorar a liberdade de expressão.