Ídolos do futsal defendem esporte nas Olimpíadas

Por Lucas Canosa

Manoel Tobias fez história com a camisa da seleção. (Foto: Edu Garcia/Estadão)
Manoel Tobias fez história com a camisa da seleção / Foto: Edu Garcia – Estadão

Criado no Uruguai em 1934, o futsal é uma derivação do futebol de campo, porém praticado em quadra esportiva. Cada equipe é composta por cinco jogadores, ao invés de onze. A modalidade chegou ao Brasil um ano após sua criação, sendo hoje o esporte mais praticado no país, mas ainda não é considerado paixão nacional, devido à falta de estrutura oferecida pelos clubes e a baixa divulgação na mídia.

Embora seja muito parecido com o futebol tradicional, o salão não garante o mesmo conforto financeiro aos seus profissionais, em regra. O ex-jogador bicampeão mundial e eleito três vezes melhor do mundo pela FIFA, Manoel Tobias declara que a ausência do futsal nos jogos olímpicos breca o crescimento da modalidade “Futebol é um esporte consolidado em todo o mundo, já o futsal ainda não tem a mesma força. O entrave é a não inclusão do esporte nas Olimpíadas, batalha que todos nós, “salonistas”, estamos travando para que, em um futuro breve, possa acontecer”, afirma.

O primeiro Mundial de futsal foi disputado em 1982, com todas as partidas realizadas no Ginásio do Ibirapuera. O Brasil foi campeão com uma equipe formada por universitários, que tinham empregos paralelos e treinavam em horários diferenciados para conseguirem conciliar o “hobbie” com a vida profissional, fato que até hoje é comum no país, mesmo que a situação esteja começando a mudar.

O ala Falcão é exceção da regra, o atleta tem patrocínio próprio e é ídolo nacional. (Foto: Getty Images)
O ala Falcão é exceção da regra, o atleta tem patrocínio próprio e é ídolo nacional / Foto: Getty Images

Os grandes jogadores brasileiros, com exceção do único ídolo da categoria, o ala Falcão, atuam na Europa, onde são mais reconhecidos e recebem melhores remunerações do que receberiam atuando no local de origem. Muitas vezes, eles se naturalizam e atuam por seleções do “velho continente”. Por exemplo, no Mundial de 2008, disputado no Brasil, todos os jogadores da Itália eram brasileiros naturalizados. O camisa 10 daquela seleção era o guarulhense Adriano Foglia, eleito melhor do mundo em 2003. Hoje no Corinthians, ele explica sua saída precoce dos nossos torneios. “Saí muito cedo do Brasil porque tive  uma oferta melhor financeiramente. Não pensei duas vezes em aceitar. Estava no Palmeiras, onde não jogava muito, porque era muito jovem”, disse. em entrevista cedida a Lucas Canosa, em 2015.

A Liga Nacional é disputada desde 1996 e até hoje não é transmitida para todo o Brasil, fato que incomoda o ítalo-brasileiro. “O futsal deveria ser exibido na TV aberta, embora a maioria já tenha os canais fechados, uma boa cobertura nas principais emissoras engrandeceria muito a modalidade”, conclui.

Foglia atuando pela seleção italiana no Mundial de Futsal / Foto: Silvia Izquierdo - AP
Foglia atuando pela seleção italiana no Mundial de Futsal /Foto: Silvia Izquierdo – AP

Comparado ao voleibol, por exemplo, o futsal sai perdendo, pois a maioria dos melhores atletas da seleção brasileira, jogam no próprio país, fato não repetido no salão. Para Tobias, o fator principal disso é a desunião das federações que comandam o esporte. “Estamos dez anos atrasados em relação ao voleibol. Há públicos de 10, 15 mil pessoas em grandes jogos de futsal, mas enquanto os presidentes dessas entidades internacionais não se unirem, não teremos o futsal como um esporte olímpico. Todo mundo conhece os ídolos do voleibol. Se você comparar as estruturas das equipes dos dois esportes, a diferença é grande, para o outro lado. Poucos clubes oferecem grandes contratos aos atletas. Então, nossos melhores jogadores acabam jogando no exterior, por questão de conforto. Claro, com uma exceção ou outra”, lamenta.

Com todos esses fatores, fica claro que é necessário o aprimoramento no marketing do esporte, consequentemente atraindo mídia e investidores, do contrário, os craques formados na “pátria amada” continuarão mostrando talento e atuando por países que não condizem com seus berços, história e sonhos. 

Lucas Canosa

Nascido em 11 de Setembro de 1992. Estuda jornalismo na Universidade Nove de Julho e trabalha em uma empresa do ramo financeiro, porém, dentro do ramo jornalístico, faz coberturas esportivas desde 2009, quando ingressou na Rádio Vic, em que era comentarista de um programa chamado “A hora do Esporte”. Posteriormente, na mesma rádio, apresentou o humorístico “Programa Cério”. Em junho de 2009, paralelo ao esporte, fundou o “Batalha do Ibope”, site consolidado sobre notícias da TV. Nele fazia análises dos acontecimentos televisivos e coberturas de eventos importantes no ramo, dentre eles o “Teleton”. Escreve para o site Esporte Guarulhos e é um dos apresentadores do programa “Onde a Coruja Dorme”, na Rádio Show do Esporte. Em 2014, fundou o site Bastidores da Informação. Em 2016, ingressou no projeto do Jornal Ponto de Encontro, onde é editor-chefe.